Friday, February 22, 2008

 Sejamos Amigos da Cultura

Os amigos da cultura lá se juntaram, mais uma vez para dizer de sua justiça sobre as maleitas das quais padece a política cultural coimbrã. E parafraseando Abílio Hernandez, esta é uma tarefa árdua quando se «fala com uma parede» protagonizada, claro está pela Câmara Municipal de Coimbra. No entanto, o que ficou do debate não foi só que andamos com más e escassas culturas mas também que andamos todos de candeias às avessas. Com todos, designo cidadãos e agentes culturais. Por um lado, a cultura não construiu público e por outro, os agentes culturais não construiram nenhuma coesão. Daí que cada qual tenha a sua enfermidade e a sua ideia sobre o assunto. O que nos leva à questão premente : O que são então os amigos da cultura?E as opiniões divergem, há quem diga que são um protesto (isolado ou não, sabe-lo-e-mos no futuro) há quem diga que devem ser uma resposta. Parece-me muito francamente que o momento é mais de protesto que de procurar fazer a política cultural que a CMC não faz.

Não se deve este movimento substituir a um organismo eleito democraticamente, cuja única função é governar um município. Para isso é um movimento de protesto e não um partido político. Como tal, proponho que este movimento continue a existir como tal, protestando, todas as semanas, todos os dias, a todas as horas para que o público se aperceba que já não tem mais espectáculos que o centro comercial , o computador e a tv. Para que o público se aperceba de que lhe falta ir ao teatro, ver um espectáculo de música ou uma exposição diferentes do que já vê há anos. Pode ser que então, esse público se aperceba de que realmente não está nada bem como está e que o poder autárquico tem responsabilidades nisso. E quando tal acontecer, esperemos que o poder autárquico se aperceba de que é esse público que vota e faz com que esse poder autárquico exista. Pode ser que nesse momento de clarividência esse mesmo poder consiga por fim, satisfazer as necessidades dos seus cidadãos.
Pode ser....

Sunday, October 14, 2007



O que as mulheres podem fazer...

Duas realidades assolam as mulheres: o que podem fazer e o que não podem fazer. Por isso e para elucidar alguma mente brilhante aqui ficam duas elucidativas musiquinhas que deveriam fazer parte do reportório actual de play lists, mais ou menos como um lembrete, só para que ninguém se esqueça.

Tuesday, September 25, 2007


Resistir e vencer!

Há umas semanas fui ver um concerto. O artista era José Mário Branco que acompanhado de uma guitarra e um microfone, foi escavando caminho pelos meandros revolucionários. Apesar do ambiente aparentemente PREC, Zé Mário lá foi atirando à esquerda e à direita balas de críticas certeiras. Deu para chorar e deu para rir, aliás há muito que não me ria tanto. De facto, Zé Mário chegou a uma idade e a um estatuto que já pode dizer o que lhe apetecer. E foi o que fez, enquanto discorria histórias do seu passado no PCP, perante uma plateia estupefacta que certamente terá engolido uns quantos sapos. O momento alto foi quando o cantautor alude a um episódio em que tal como Cândida Ventura, o Partido (PCP) aconselhou a autocrítica ao então camarada Zé Mário pelas suas tendências pequeno-burguesas despoletadas, no seu caso, por um fado. Ao que este responde: Mas eu não fiz autocrítica!
E aí, eu realmente não aguentei e acho que as minhas risadas resvalaram nalgum incómodo comunista. Acredito que Zé Mário tenha conseguido com este espectáculo fazer a sua catarse, tal como Cândida Ventura, Raimundo Narciso ou mesmo Zita Seabra. Mas o que fica deste espectáculo é o apelo quase desesperado à nossa indignação, pela política, pelo estado de coisas, pela nossa apatia. E isso deveria preocupar-nos, o sermos apáticos, o acreditarmos piamente nos outros e nas suas capacidades governativas e depois chamá-los de bandidos e ladrões em frente à televisão porque não cumprem com o que prometeram. E nas próximas eleições lá vamos nós votar naquele que deu mais aventais e canetas por metro quadrado. E é isto a democracia...

Wednesday, July 18, 2007

Esta foi uma semana em cheio, dado que o Teatro Académico Gil Vicente, decidiu preencher a lacuna deixada pelo antigo cinema Avenida e as grandes produções da Lusomundo e das suaspipocas. Começou por A vida dos outros, uma espécie de catarse da ex- RDA da Alemanha actual que agora começa o seu luto. Fica aqui uma versão francesa que foi a única legendada que consegui encontrar. Outro filme que me faltava era O Caimão do já muito querido Nani Moretti. É também o começo do luto de Berlusconi. Um filme sobre a Itália durante e pós- Berlusconi. Infelizmente, deixo-vos o final, que é coisa que não se deve fazer, mas é tão mítico, que não resisti. Além disso, já todos sabemos o fim da história. O próprio Moretti diz no filme que já está tudo escrito sobre Berlusconi e que não há necessidade de fazer um filme. Por fim, háque presentear o espectáculo que o Bando nos presenteou ontem no Citemor,com texto de Jacinto Lucas Pires. Foi uma bela penda para quem, como eu, já estava com o pé um bocadinho de fora do teatro à custa de muita estopada sem sentido. E fica o conselho: vão ao Citemor, mais que não seja porque é dos poucos festivais de teatro que temos e a sua qualidade normalmente não deixa nada a desejar. Para meter inveja a quem não for e chamar indecisos, aqui fica o cheirinho de mais uma edição do Festival Músicas do Mundo de Sines, que seguramente vai valer muito a pena, ainda para mais com praia ao lado, que mais se pode querer da vida?


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