Saturday, May 26, 2007


De volta…

S. Tomé tem que ser o único país do mundo imune ao tempo. Esta ilha no meio do equador é como um canto perdido, talvez o mais semelhante possível à ilha dos amores d' Os Lusíadas, mas sem ninfas.

O mais caricato é que podemos encontrar tudo o que foi deixado aquando da descolonização, mais ou menos na mesma. Inclusive as pessoas. Foi como corroborar um alibi dos meus pais, as pessoas estavam lá, onde foram deixadas pela última vez e com a mesma memória e o mesmo sentimento de antes, como se o tempo não corresse e como se essas recordações fossem de ontem e não de há 30 anos atrás.

E assim fizemos a cartografia de S. Tomé, começando na “casa onde eu vivia”(a minha mãe) até “aqueles meus amigos que brincavam comigo ” e através desse périplo demo-nos conta de que aquela ilha é mesmo um canto bem guardado que de certa forma se assemelha ao início do mundo. As árvores de fruto nascem de geração espontânea e luz há em quase todos os sítios, sendo que as únicas faltas mais notadas são bens secundários (roupa, material informático, lápis, cadernos, alguns tipos de medicamentos, etc). Portanto se forem a S. Tomé, aconselho pouca bagagem de férias e muita bagagem para dar (perguntem antes a alguma instituição). A ostentação de riqueza a que nos habituaram alguns países africanos, passa ali um pouco despercebida , ainda que o ordenado mínimo sejam 300.000 dobras, o equivalente a 15€ mensais.
Outra das coisas que as crianças pedem muito e que foi um hábito um bocado estúpido inventado pelos turistas foi o dos doces. Quando passa um jipe com turistas as crianças gritam “Doce! Doce!” para que estes lhes dêem rebuçados, gomas, bolachas, tanto dá desde que seja doce. Se quiserem levem porque eles têm uma alimentação mais ou menos saudável, por isso muito mal não lhes faz.

Há no entanto muita destruição, mais motivada pelo descuido porque guerra não houve. Mas como diz o povo S. Tomense lá se vai recuperando ao ritmo do leve leve mole mole. Eu percebo-os perfeitamente porque com aquele calor permanente ninguém resiste. Eu por mim deixava-me ficar no jardim das delícias com uma casinha de madeira à espera que caísse alguma coisa que se comesse.


O progresso tal como o entendemos, poderá vir a dar alguma prosperidade ao país, mas aí perder-se-ão muitas coisas à custa de infraestruturas e da produtividade, criando não um país desenvolvido mas uma ilha para turista ver. Ainda com todos os problemas de falta de estradas, alguma falta de escolas e alguns bens, o sistema vai-se organizando às suas medidas e o que encontramos no mercado quase o mesmo que encontramos na europa, ainda que as papaias, os maracujás, etc sejam muito maiores do que se pode imaginar.

Afinal, fazendo o balanço da história, voltar ao lugar do crime não foi tão mau quanto isso.

2 comments:

begira... said...

dasme envidia... ainda que a situación non sexa a mellor, paga a pena ir e velo, depois de todo o que nos tivemos que ver coa súa situación actual... e vou quedar como unha romántica pero creo que os países con menos en materia que nós moitas veces teñen máis en outras cousas, aínda que comprendo perfectamente que queran ter o que lles falte.
sigue informando de viaxes e experiencias que aqui estaremos esperando!

KADO said...

mole mole é deixar o malarone em casa e ser picado pelo mosquito...
a todos os moles-moles da viagem
até uma proxima ...

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